Buzz, uma alternativa eficiente ao Twitter para discussões

março 1st, 2010

Introdução

Muita gente que adora o twitter força a barra usando-o como ferramenta de discussão. Twitteiros de carteirinha (com senso crítico sobre a ferramenta) afirmam que o twitter não é uma boa ferramenta para discussão. E eu concordo com o diagnóstico!

Discussões/conversações como estratégia de aprendizagens

Do ponto de vista de quem quer organizar discussões, como estratégia de aprendizagens (individuais ou distribuídas), penso que algumas característcas sejam bem desejadas para tal finalidade:

  • Organização das várias falas na discussão;
  • Possibilidade de se reproduzir o diálogo para terceiros que não participaram ou para que os próprios participantes possam rever a discussão;
  • Possibilidades amplas  de argumentação (nenhuma restrição aos argumentos)

Tomando-se apenas estes três critérios (didático-pedagógicos) podemos inferir que uma atividade efetiva de aprendizagem fica seriamente prejudicada com o uso do twitter como espaço para desenvolvimento de  discussões.

O Buzz como uma ótima alternativa ao Twitter

Como já disse antes, existem ferramentas especializadas para a organização de conversações com foco na aprendizagem: google grupos, yahoo grupos ou MailMan se você pode/quer instalar o seu pŕoprio gerenciador no seu servidor.

Mas se ainda assim você prefere algo mais informal e sem perder de vista aquelas características expostas acima, o Buzz é a melhor opção comparado ao twitter.

Com o Buzz você poderá estabelecer conversações/discussões descentralizadas (públicas ou privadas)  otimizadas para a aprendizagem dos participantes. Entre outras coisas porque:

  • As várias falas ficam lindamente organizadas;
  • Há o permalink da discussão, o que garante que a mesma possa ser revista e acompanhada de modo assíncrono;
  • Não há restrições às argumentações (nem no tamanho, nem na forma) o que só contribui para discussões mais qualificadas!

Neste permalink você poderá ver um exemplo de uma discussão travada no Buzz (não foi organizada previamente com fins de aprendizagem)!

[atualização]

Conforme discussão realizada no identi.ca (alternativa livre e tecnicamente melhor ao twitter), o identi.ca permite o permalink de uma discussão realizada por lá, usando o “link de contexto”.

Assim, ao menos pra mim, o identi.ca é uma alternativa intermediária ao Buzz. Sua restrição é o limite de caracteres para argumentar e a eventual dificuldade de acompanhar o fluxo das mensagens na sua timeline (outras conversas passam ao mesmo tempo).

No permalink acima tem os autores da dica do identi.ca: @aracnus, @f4bs e @aurium

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Conclusão

A escolha da ferramenta mais adequada para um determinado fim (educacional ou não), não passa necessariamente somente por critérios objetivos, como os que eu procurei apontar aqui.

Gosto pessoal, hype e outros podem influenciar a escolha. Portanto não tome este texto como uma crítica às suas escolhas tecnológicas. Tome-o apenas como uma contribuição a práticas educacionais mais efetivas.

5 motivos para não se usar microblogues em educação

fevereiro 9th, 2010

Introdução

microbloguesEmbora a “rudimentar rede de conexão social” (segundo Biz Stones), aka twitter, já esteja passando da fase de hype para mainstream entre descolados, moderninhos e céticos de todos os tipos, sempre ocorre um fenômeno comum a vários setores da sociedade, e não seria diferente em Educação:

Virou “moda” ou “fetiche” achar que os microblogues são o grande rei da cocada preta e que o seu uso geral em Educação será/é o grande pulo do gato!

Correndo o risco de parecer mais rabugento do que normalmente sou com esta ferramenta, resolvi escrever os 5 motivos pelos quais *eu*, após experimentá-la intensamente, descarto-a como ferramenta, de uso geral, adequada a uma educação para a Era da Informação e do Conhecimento.

PS: Eu continuarei a usar  um perfil “corporativo” para fins de investigação. Não investigação de usos educativos, que como argumentarei a seguir considero descartado!

Meus 5 motivos

  • Aprendizagem passa necessariamente por reflexão – Quando se está aprendendo algo ou quando se está organizando atividades que potencializem aprendizagens é fundamental que se tenha reflexões e decantação de ideias. Quer seja a reflexão antes de se responder a uma indagação, quer seja a reflexão sobre um novo conceito ou mesmo o tempo necessário para “a ancoragem” com conhecimentos prévios. Incentivar o fluxo contínuo (e irrefletido) de informações contribui muito mais para a produção de ruídos que podem ser nocivos a compreensão de ideias, valores ou conceitos do que se está aprendendo e/ou ensinando.
  • Aprendizagem em rede passa por organização dos fluxos informacionais – A perspectiva sócio-interacionista da aprendizagem reforça a importância das interações e da linguagem nos processos de aprendizagem, entretanto esta perspectiva destaca que “quanto mais ricas as interações, maior e mais sofisticado será o desenvolvimento…” e convenhamos, não poder haver riqueza de interações, no caso geral, com apenas 140 caracteres!
  • Organizar a aprendizagem passa por escolher as ferramentas mais adequadas. – Não se trata aqui de rejeitar ou endeusar ferramentas a priori (como se costuma fazer com o twitter). Mas é papel dos professores comprometidos com o presente e o futuro de seus alunos refletirem criticamente sobre quais ferramentas se adequam a objetivos educacionais e não quais objetivos educacionais se adequam a ferramenta da moda! É possível que em situações bem específicas os microblogues possam ser hackeados para usos educacionais. Mas me parece uma grande temeridade e forçada de barra se usar o twitter no lugar de ferramentas dedicadas e adequadas a fins específicos.
  • Aprendizagem cooperativa não prescinde da mediação daquele que aprende há mais tempo! – Considerando especificamente a realidade do professor brasileiro que atende a uma quantidade enorme de alunos no seu cotidiano docente (no ensino básico, por baixo, um professor atende em média mais de 300 alunos numa estimativa muito otimista!) é realmente coisa de quem não está na sala de aula real acreditar que um professor possa administrar, minimamente bem, o fluxo contínuo de informações (não indexadas e nem sempre contextualizadas com objetivos educacionais previamente organizados) que esta ferramenta possa produzir. Não se enganem, desenvolver a capacidade de gerenciar suas próprias aprendizagens não é favorecida numa ferramenta que incentiva a produção irrefletida e contínua de fluxos informacionais. Receio mesmo que em cursos superiores este fluxo contínuo possa impactar negativamente na habilidade de gerenciar aprendizagens, mesmo numa perspecitiva conectivista de aprendizagem!
  • Aprendizagem requer auto-reflexão – Uma característica importante de quem aprende é perceber sua evolução ou olhar em perspectiva sua capacidade de tratar determinado objeto de aprendizagem. Uma ferramenta que não favorece a indexação do fluxo informacional dificulta este olhar em perspectiva, tão importante no ato de aprender e, mais importante de tudo, de aprender a aprender!

Alternativas

Observando o que se tem proposto para o twitter em contextos educacionais e levando em conta os argumentos acima (especialmente o terceiro) indico abaixo ferramentas que me parecem mais adequadas para o contexto educacional do que os microblogues:

Compartilhamento de Endereços

Aprender em rede e com uso das ferramentas da web 2.0 pode passar muitas vezes pelo compartilhamento de endereços web que sejam úteis para uma comunidade de aprendizagem ou mesmo para um subconjunto desta comunidade. Tão importante quanto compartilhar endereços e aplicativos web é achá-los depois de compartilhados.

Para estes casos no lugar do twitter, que embora até sirva para esta função é péssimo na indexação das informações compartilhadas por conta da sua restrição de 140 caracteres, é muito mais adequado usar um gerenciador social de favoritos (bookmarks).

Delicious pra quem não pode hospedar sua ferramenta e get-boo pra quem pode, são duas opções muito mais efetivas que uma conta no twitter!

Tanto o Delicious quanto o get-boo permitem compartilhar um endereço web (link), etiquetá-lo (”tagueá-lo”), inserir observações e muitas outras coisas que ficam prejudicadas no twitter.

Aqui um exemplo do get-boo aplicado numa comunidade de aprendizagem de física!

Conversas, discussão, projetos, etc

Discussões de projetos, anúncios rápidos ou não, organização de projetos, Brainstorms, aprendizagens diárias e tudo o mais que é proposto neste texto aqui pode ser muito melhor implementado com o bom e infalível blogue! E sim, você também pode fazer isto usando seu dispositivo móvel!

Uma discussão temática num blogue é muito melhor indexada e, do ponto de vista didático, mais organizada que usando microblogues.

A mediação daquele que aprende há mais tempo é facilitada numa ferramenta otimizada para organizar as discussões ou conteúdos por mais de um indexador (data, tag, categoria).

A qualidade de discussão é incomparável quando você não se restringe a 140 caracteres. Repare que a falta de limite técnico aos 140 caracteres não implique que você não trabalhe a concisão dos argumentos dos participantes da comunidade.

E se você escolher adequadamente seu motor de blogue, a escrita no mesmo, pelos vários integrantes da sua comunidade de aprendizagem, pode ser tão simples e otimizada quanto você queira e, possívelmente, até mais familiar do que nos microblogues.

Aqui um exemplo de blogue nesta perspectiva integradora. E aqui um exemplo de motor de blogue otimizado para ser alimentado via e-mail!

Gerenciamento da Inteligência Coletiva

Um dos vários motivos porque microblogues em educação é uma péssima ideia (em minha opinião), numa perspectiva de educar para a Era da Informação e do Conhecimento e não para o século XIX é que os microblogues não gerenciam bem a inteligência coletiva gerada nas interações. Mesmo utilizando-se os seus motores internos de busca avançada, não se consegue ter um ideia de quanto foi discutido, evoluído e produzido de inteligência num determinado coletivo aprendente.

Ao contrário dos microblogues, um gerenciador de listas de discussão (google grupos, yahoo grupos ou MailMan se você pode/quer instalar o seu pŕoprio gerenciador no seu servidor) permite não só que as discussões possam fluir na sua comunidade como se encarregar de gerenciar no melhor estilo “menos é mais” a inteligência coletiva gerada pelas interações da comunidade.

Discutir (rasteiramente) no twitter além de ser um desperdício de tempo não permite que a inteligência coletiva que emerge do grupo possa ser, facilmente, gerenciada!

Interações Síncronas

E se você precisa, por uma demanda pedagógica, de interação síncrona você sempre poderá inserir no seu blogue um widget de chat!

E se o perfil sócio-econômico-tecnológico de sua comunidade permitir, você ainda pode fazer uso de sms para espalhamento (brodacast) de informações urgentes. O maior problema aqui é que o preço praticado pelas operadoras para o uso de sms no Brasil ainda é proibitivo. Mas este problema também atinge o uso dos microblogues mais intensamente em dispositivos móveis!

Uma última observação

Embora nesta altura do campeonato isto já devesse ser óbvio para qualquer pessoa que já tenha entrado no mundo dos adultos, sempre vale a pena relembrar e enfatizar. Não existem absolutos! Algo que falha miseralvelmente pra mim pode funcionar lindamente pra você. E vice-versa!

Tenha isto em mente antes de pegar as pedras :-) E sim, os comentários estão abertos às suas considerações, afinal as conversações são muito melhores com mais de 140 caracteres, com reflexão e, mais importante de tudo, numa interface que organize as várias falas de modo organizado e intuitivo.

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